U5- A Incubadora
Nesta unidade de trabalho, foi-nos proposta a elaboração de um trabalho no âmbito do "Sentida/MENTE", dinamizado pelo projeto "+ Contigo". Primeiramente tivémos de escolher um tema que se enquadrasse no tema global da "saúde mental" , onde escolhemos optar por trabalhar com duas doenças mentais, depressão e ansiedade.
Depois do tema escolhido, pensámos no que iríamos criar e desenvolver neste projeto, e escolhemos, por fim, trabalhar em cinco áreas: fotografia, cinema/vídeo, desenho, performance e artes plásticas; o que nos pareceu um pouco ambicioso no início. Consequentemente tivémos de pensar no espaço onde a instalação estaria exposta, e foi-nos designado o auditório.
O nosso objetivo com a instalação era criar uma experiência imersiva que inflijisse no espectador sentimentos de ansiedade e sensações de claustrofobia e desconforto. Queríamos expôr de uma forma crua a prespetiva de ambas as doenças pelo lado de quem as sofre, tendo em conta que a maioria das pessoas nunca vão conseguir realmente perceber o que é a ansiedade e a depressão, e como é que afeta, este nosso objetivo pareceu nos bastante coerente.
A cada pessoa de o grupo foi designada uma tarefa de forma a cada um ter o seu trabalho independente ( em que os outros elementos do grupo iriam ter participação), mas que no fim se iria fundir com o trabalho geral.
A Inês ficou com a parte das artes plásticas onde concebeu um mapa mental de um dia na vida de uma pessoa que sofre de ansiedade. Pegou em ações comuns do dia a dia e expandiu-as para pensamentos muito mais complexos e sombrios. O quadro da Inês deu também a oportunidade aos visitantes de deixar a sua apreciação do trabalho ou algum pensamento que tenham tido durante a exposição.
O João e o Miguel trataram respetivamente do trabalho fotográfico e da curta-metragem. Estes trabalhos acabaram por se completar um ao outro de certa forma. As fotografias do João, representavam um rapaz e uma rapariga, num ambiente sombrio (casa assombrada), onde ambos transpiravam sensações de desconforto, desolação, ansiedade, sufoco. O esquema de cores usado foi bastante neutro e frio, propositadamente para causar um ambiente mais pesado e mórbido.
A curta-metragem do Miguel vai dar vida ao trabalho fotográfico do João e de certa forma criar uma história de dois indivíduos que sofrem de ansiedade. Agitação, pânico seguidos de momentos de absoluto silêncio transmitem aos espetadores sensações aterradoras, mas num bom sentido, pois conseguiram observar com os seus olhos os momentos mais temerosos e destrutivos que a ansiedade pode provocar num indíviduo. O Miguel também foi responsável da performance onde foi amarrado com cordas densas e posto dentro de um cúbiculo escuro no auditório ( a nossa incubadora ), separado por um vidro de forma a conseguir estar em contacto com os espectadores. Desta forma o espectador poderia ver, em tempo real, como uma pessoa se sente encurralada, desesperada, presa naquele universo sombrio de onde não consegue fugir.
O Nuno optou por usar o carvão e criou figuras humanas em papel de cenário, distorcidas por stress e doenças mentais, e como trabalhou com papel de cenário teve a oportunidade de realizar trabalhos de maior escala. Representou a depressão figurativamente e criou um impacto grande nos nossos espectadores.
Por fim, eu optei por realizar vários retratos da figura humana, retratos que iriam mostrar como a doença nos afeta e como nos corrói. Inicialmente tinha em mente fazer vários retratos, representando cada um, as diferentes sensações vivenciadas por individuos sofredores das doenças. Confrontei-me com imensas dificuldades pois tentei criar retratos desde a raiz , mas o tempo era limitado para criar tantas obras, o que me deixou bastante frustrada. Optei então por fazer menos, mas com mais qualidade. Pintei em A3, com aguarelas, vários retratos de pessoas onde se podia ver a destruição, a insanidade e o pânico que sentiam. Acabei com cerca de 4 potenciais trabalhos finais, de onde escolhi dois, e aproveitei a ideia da professora de os projetar em vez de apresentar o desenho em A3, para ter mais impacto. Foram então impressos os dois retratos em folhas de acetato que depois com as mesas de luz, deram finalmente vida ao árduo trabalho. Em adição aos trabalhos de aguarelas fiz 5 desenhos "rápidos" a tinta da china, onde o meu traço foi bastante tremido, propositadamente para mostrar a agitação sentida pelo doente. Gostei em particular de dois retratos que representavam dois corredores escuros e sem saída, onde estava um indíviduo isolado do mundo exterior; e de um outro trabalho que foi inspirado na artista Clara Lieu, artista que tem obras poderosas sobre a sua experiência com a depressão, e também sobre ansiedade social. No fim, fiquei bastante satisfeita com a minha prestação, e os trabalhos em acetato superaram ,sem dúvida, as minhas expectativas.
Para interagirmos com o público de uma maneira mais direta, decidimos forrar o chão com papel preto e esmagarmos giz para as pessoas se descalçarem e pisarem o giz, de modo a deixarem a sua marca no nosso projeto, e de modo a criar uma vulnerabilidade nas pessoas.
Creio que tivémos todos um desempenho bastante satisfatório, conseguimos superar os desafios que nos foram aparecendo ao longo da jornada e foi uma ótima colaboração. Os nossos objetivos foram cumpridos e fomos capazes de expôr um trabalho elaborado e que tocou muitas das pessoas que tiveram a experiência de viver durante uns momentos na nossa incubadora.
Aqui estão algumas fotos do dia da exposição.